Amamentação bem sucedida

Amamentação bem sucedida. Qual o segredo?

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Se és mãe, sabes o quanto desafiante este papel pode ser… certo?

 

Dúvidas constantes… “serei boa mãe?” “Saberei amamentar?” “E se não tiver leite?”…dúvidas e mais dúvidas…desafios e mais desafios…ufff que trabalheira emocional que é… mas a verdade é que vale todo o esforço… vale todas as inseguranças e todos os receios!!

 

Ainda assim, como se não fossem suficientes as dúvidas que uma grávida (principalmente de 1ª viagem) tem… a estas ainda se juntam os conselhos de todas as pessoas que fazem parte da nossa vida… “Não dês muito colo porque fica mal habituado”; “está sempre na mama será que o teu leite é fraco?”; “só podes amamentar de x em x horas”; “deixa-o chorar que faz bem aos pulmões”…Enfim, é um emaranhar de “saberes” que associados a uma exacerbação emocional deixam as mães literalmente em pânico.

No entanto, se tivermos a sorte de encontrar pessoas que nos ajudam a organizar as ideias (e sentimentos), começamos a perceber que a esmagadora maioria das “regras” não se aplicam aos comuns dos mortais (nós…mães).

 

 

Quando, há cinco anos atrás, o meu filho nasceu eu tinha a certeza absoluta que o iria amamentar e que a amamentação ia ser bem sucedida, mas também tinha a certeza que o ia amamentar três ou quatro meses porque era “mais do que suficiente”, segundo me diziam. Sabia lá eu que a nossa jornada iria durar 3 anos.

 

Os primeiros 3 meses foram horríveis, literalmente! Só tinha vontade de lhe dar biberão e retirar a mama.

 

Porquê? Perguntam vocês…Porque tinha o peito todo em ferida, porque passava dias seguidos sem pregar olho, porque cada vez que ele queria mamar eu chorava com a antecipação da dor que sabia que ia sentir e porque se lhe fizesse o intervalo “apropriado” de mamar “apenas de 2 em 2 horas”, como me mandaram fazer, ele gritava sem parar. Estive tão perto, mas tão perto de desistir que nem imaginam.

Entre o desespero e o esforço para ser “uma boa mãe” surgiu-me pelo caminho uma mãe guerreira…a minha doce amiga e doula, Ana Patrocínio. A Ana teve o dom de, com a vasta experiência e conhecimento em aleitamento materno, me dizer com a maior das simplicidades: “ohh Vera, provavelmente ele pega mal na mama, experimenta a puxar os lábios para fora cada vez que lhe deres mama e vê se melhora” e não é que melhorou? Deixou de doer e as feridas sararam!!

 

Continuei a amamentar e a explorar este universo da amamentação e da maternidade.

 

O que é que aprendi com ele?

Aprendi que o peito não é um depósito de leite ali quietinho à espera que o bebé o tire, nada disso… aprendi que é a sucção do bebé que produz leite (sim…nenhum profissional de saúde me informou…apenas me disseram que às vezes as mães não tinham leite… mas “mia responsabilità” também porque a bem da verdade também não procurei informação…)

Ora se eu impusesse um horário ao meu filho (como me foi dito para fazer de 2 em 2 horas e depois de 3 em 3) o meu peito iria produzir menos leite porque estaria a ser menos estimulado. Contrariamente, se o amamentasse em livre demanda, sem horários e seguindo o ritmo do bebé, nunca teria “falta de leite” nem “leite fraco” e uma amamentação bem sucedida.

 

Agora digam-me… Porque é que eu não sabia de nada? Eu tenho 2 respostas:

 

porque não fiz o MEU trabalho de casa. Não falei com outras mães antes de ter o bebé, não questionei, não sondei;

porque confiei que a informação dos profissionais que me acompanharam era suficiente para saber tudo o que era necessário para uma amamentação bem sucedida.

E agora pergunto: como podes aprender a amamentar? A chave é te educares e te preparares, mas sem stressar.

 

 

Amamentação bem sucedida

 

1º Procura ajuda com uma conselheira de aleitamento materno ou uma doula.

Procura uma consultora de lactação ou uma doula antes de teres o bebé. Telefona-lhe, conversa, faz-lhe perguntas. Pergunta se tem sugestões para facilitar a amamentação, pergunta se faz visitas domiciliares ou se dá aulas de amamentação…questiona tudo, mesmo que pareça insignificante.

 

2º Privilegia o contacto pele a pele logo após o nascimento.

O contacto imediato da pele com a pele ajuda o cérebro do bebé a se desenvolver otimamente e torna mais provável ama amamentação bem sucedida por servir de vinculo entre a mãe e o bebé.

 

3º Fica na cama, descansa.

A maioria das mães acha que tem de ser a “super mulher” (eu também achava). Queremos voltar para casa com o bebé e continuar a fazer tudo o que fazíamos antes de irmos para o hospital.

É o tratar da roupa, da cozinha e da comida, esquecendo-nos que acabámos de sujeitar o nosso corpo ao nascimento de uma nova vida, ou seja, o corpo está a sarar, a recuperar, a voltar à sua forma anterior (ou parecida) e isso leva tempo e impõe descanso. Aliás, o descanso materno pós-parto é das melhores formas de prevenir o chamado baby blues, a depressão pós-parto tão usual na nossa sociedade.

 

Sabias que antigamente, quando vivíamos em verdadeiras comunidades, a mulher que paria era mimada pelas outras mulheres?

 

Elas, durante o primeiro mês pós parto, tratavam de todos os afazeres da recente mãe, incluíndo a comida, os banhos e as massagens. Tudo para permitir que aquela mulher recuperasse e que se focasse na criação do vinculo afectivo com o seu filho.

Daí vem a expressão: “É necessário uma vila para criar uma criança”.

Por isso, que tal falares com a tua família, os teus amigos para que quando te venham visitar te tragam comida (saudável), que lavem a loiça ou te arrumem a casa? Vamos recuperar um pouco dessas tradições?

 

4º Nutre-te!

Amamentar dá fome e muita sede, por isso, alimenta-te bem, de forma saudável e lembra-te que quando comes, não estás a alimentar apenas o teu corpo, estás a alimentar também o corpo do teu filho que obtém esses nutrientes pelo teu leite. Logo evita processados, açucares e lacticínios de todo o tipo (vaca, cabra, ovelha).

Opta por refeições leves, de fácil digestão e nutritivas. Se seguires um regime alimentar vegetariano, é extremamente importante suplementares com vitamina B12, ok?

 

5º Come os alimentos certos e, caso necessites, usa as plantas medicinais apropriadas.

Existem alimentos e plantas galactagogos, ou seja, são substâncias que promovem o suprimento de leite.

Um dos alimentos mais conhecidos é a aveia (avena sativa) que atua como tónico para o sistema nervoso providenciando um efeito calmante suave.

Entre as plantas medicinais mais usadas, destacam-se a Ashwaganda (Withania somnifera), que é uma planta com propriedades adaptogénicas, ajudando-te a adaptar ao stress que envolve toda a tua nova logística; e a Urtiga (Urtica dioica), que é a supra-sumo da Naturopatia. É particularmente nutritiva, contendo minerais e vitaminas, especialmente o ferro, potássio e sílica. É usada para casos de anemia, fraqueza e para estabilizar o açúcar no sangue, logo oferece-te nutrientes importantes para recuperares adequadamente.

Existem muitas outras plantas medicinais que podem apoiar o teu bem estar físico e emocional e que podem ser ingeridas em segurança para uma amamentação bem sucedida, mas o mais importante, é teres em mente que o período pós-parto é um momento muito pessoal, intimo e intenso que tens com o pequeno humano que até há bem pouco tempo fazia parte de ti, do teu corpo.

Por isso, teres as emoções ao rubro, os medos a saltarem como fogo de artifício em dia de festa e o cansaço é normal, mas só acontece para te relembrar que tens de descansar muito e sempre ao lado do teu bebé.

 

É tempo de olhares para ti, para o teu companheiro e para o teu filho.

 

Lembra-te: visitas nos 1ºs dias? Só se forem para ajudar!
Querem visitar? então ajudem…levem sopa, fruta, comida fresca. Ofereçam-se para limpar a casa, passar a ferro e olhar pelo bebé enquanto a mãe desfruta de um relaxante banho e de um momento a sós consigo mesma!!

 

 

Referencias:
# Meyer, Kathryn BA, RN; Anderson, Gene Cranston PhD, RN, FAAN. Using Kangaroo Care in a Clinical Setting with Fullterm Infants Having Breastfeeding Difficulties. MCN, American Journal of Maternal Child Nursing: July/August 1999 – Volume 24 – Issue 4 – pp 190-192
# https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232008000100015&script=sci_arttext&tlng=
# Kirkland R, Motil K. Failure to thrive (undernutrition) in children younger than two years: Management. UpToDate. 12 March 2014. Web. 30 August 2015.
# Schanler, R J et al. Initiation of breastfeeding. UpToDate 9 September 2015. Web. 17 September 2015
# http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n5s0/v80n5s0a05

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[…] # A amamentação…uma experiência estranha! Embora amamentar esteja na natureza de qualquer mamífero, a verdade é que quando não nos ensinam certos pormenores, a amamentação pode se tornar um verdadeiro desafio… […]

  • Sobre

    Sou a Vera, naturopata especializada na saúde da mulher e da criança e autora do livro Nascer e Crescer Vegetariano.

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