Folhas de framboesa (Rubus idaeus) para um parto mais suave

 

A Framboesa é uma planta nativa da Europa e do Norte da América, sendo usada ao longo da história na gravidez, parto e amamentação.

 

 

Atualmente já encontramos alguns trabalhos que associam o consumo da framboesa ou folhas com determinados efeitos terapêuticos que quando  ingeridas regularmente durante a gravidez e o trabalho de parto podem:

– Atenuar os sintomas dos enjoos matinais;
– Atenuar e previr o sangramento das gengivas que ocorre em muitas grávidas;
– Auxiliar no nascimento do bebé e na explosão da placenta;
– Acalmar as cãibras uterinas (Burn & Withell, 1941);

 

De forma mais empiríca, os usos das folhas de Framboesa também se destinam ou destinavam a situações como:

– Aumento da fertilidade;
– Adjuvante na diminuição do sangramento excessivo após o parto;
– Tratamento da diarreia;
– Regulador do ciclo menstrual
– Alivio da garganta inflamada
– Redução da febre

 

Foram levadas a cabo algumas pesquisas sobre o efeito do consumo das folhas de Framboesa em animais e em mulheres na primeira semana pós-parto (Burn&Withell, 1941; Whitehouse, 1941). Nessas pesquisas, constatou-se que as folhas de framboesa estavam associadas a um efeito relaxante do útero, o que leva a crer que esse efeito relaxante poderá fazer com que as contracções uterinas no parto se tornem mais coordenadas e mais eficientes, encurtando o trabalho de parto.

 

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Segundo as pesquisas, a ingestão de folhas de Framboesa durante o parto poderão estar associadas a uma melhor 2ª e 3ª fase de parto. Como consequência, pensa-se que poderá reduzir o risco de sangramento pós-parto.

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Três parteiras do Hospital Westmead em Sydney quiseram investigar os efeitos do uso das folhas de Framboesa no parto:

O 1º estudo que levaram a cabo foi um estudo observatório em mulheres que já ingeriam folhas de Framboesa na gravidez e compararam-nas com mulheres que não ingeriam a planta. Eram 108 mulheres a participar no estudo (57 a tomar as folhas de Framboesa e 51 que não a ingeriam).

Algumas mulheres começaram a ingerir folhas de Framboesa por volta das 8 semanas e outras às 39 semanas. A maioria, começou entre as 28 e as 34 semanas de gestação.

 

As conclusões do estudo observatório sugeriu que as folhas de Framboesa poderiam ser consumidas por mulheres durante a gravidez com o propósito de diminuir o trabalho de parto sem efeitos secundários identificáveis tanto para a mãe como para o bebé. Um achado inesperado neste estudo foi o facto das mulheres no grupo das Folhas de Framboesa terem tido menos probabilidade de requerer uma ruptura das membranas de forma artificial, recorrerem a cesariana, a forcipes ou a ventosas do que as mulheres do grupo controlo.

 

Duas das Três parteiras originais (Myra Parsons e Michele Simpson) decidiram que o próximo passo seria fazer um estudo aleatório controlado, usando uma amostra maior, para reforçar os achados do estudo anterior.

Parsons (2000) relatou que este 2º estudo demonstrou a segurança das cápsulas de folhas de framboesa (2.4gm/dia) ingerido a partir das 32 semanas de gestação até ao inicio do trabalho de parto. Não ocorreram efeitos adversos identificáveis tanto para a mãe como para o bebé.

A análise dos resultados sugeriu que as cápsulas de folhas de Framboesa encurtavam a 2ª fase do parto por uma média de 10 minutos mas que não
houve diferença significativa no tempo de duração da 1ª fase de parto.

As cápsulas das folhas de Framboesa reduziram a incidência da ruptura artificial das membranas, dos forcipes e das ventosas no nascimento.
Apesar da incidência reduzida destas intervenções não terem sido estatisticamente significativas, as investigadoras afirmam que os resultados obtidos foram “Clinicamente significativos”.

 

 

ADMINISTRAÇÃO (Parsons (1999)):

 

Saquetas de Chá:

1º Trimestre: 1 chávena por dia;
2º Trimestre: 2 chávenas por dia;
3º Trimestre: 4 a 5 chávenas por dia.

 

Folhas de Framboesa:

1 Chávena de água a ferver. Remover do lume e adicionar 1 colher de chá da planta. Tapar e deixar repousar durante 10 minutos. 2 a 3 chávenas por dia;

Muitos profissionais recomendam a sua ingestão a partir das 32/34 semanas de gestação e continuar durante o nascimento e amamentação.

 

ATENÇÃO: Consulta sempre um profissional de saúde antes de as utilizares.

 

 

 

 

Referências

– Burn J. H. & Withell E. R. (1941). A principle in raspberry leaves which relaxes uterine muscle. The Lancet, July 5, pp. 1-3. (https://doi.org/10.1016/S0140-6736(00)71348-1)
– Thomas. C. L. (ed.). (1985). Taber’s cyclopedic medical dictionary 16th ed. F. A. Davis: Philadelphia.
– Parsons, M. (1999). Raspberry leaf. Pregnancy, Birth and Beyond Newsletter, 1(2), pp. 1-2.
– Parsons, M. (2000). [Raspberry leaf]. Emailed report
– Whitehouse B. (1941). Fragrance: an inhibitor of uterine action. British Medical Journal, Sept 13, pp. 370-371.

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