Glúten: o GRANDE dilema

Fonte: Pixabay

Quem acompanha o meu trabalho, tanto como naturopata como autora do livro ´Nascer e Crescer Vegetariano´ sabe que ao meu filho foi-lhe detetado sensibilidade não celíaca ao glúten após os 6 meses, idade em que começámos a introduzir alguns alimentos, nomeadamente alimentos ricos em glúten.

 

Muito rapidamente o desenvolvimento dele começou a desacelerar e o comportamento uiii, só chorava, tinha sempre a barriga inchada, andava mole, cansado e sem apetite.

Como eu estava alerta levei-o logo à pediatra e após análises ele estava com anemia mas os testes à doença celíaca deram negativo, mas eu insisti e optámos por retirar o glúten da alimentação dele.

Passado uma semana comecei a ter o meu filho de volta. Uma criança normal, com os seus choros mas nada como anteriormente. Comentei com a pediatra, insisti e ele não comeu mais glúten pois tudo indicava uma sensibilidade não celíaca ao glúten.

 

Entretanto optei por ficar apenas com a médica de família.

 

Quatro anos mais tarde, decidi procurar outro pediatra com o qual pudesse dialogar confortavelmente (a maturidade faz destas coisas…).

Qual não é o meu espanto quando ele me informa que existem doentes celíacos que não obtêm resultados positivos nem nas análises de rastreio nem na biopsia mas são celíacos e que a maneira mais fiel de o fazer é através do teste genético.

Conversámos imenso sobre o assunto e optei por fazer a análise ao filhote (caríssima por sinal). A análise veio com alteração num dos marcadores genéticos, o que embora não excluísse o diagnóstico de doença celíaca, apontava mais para a confirmação da sensibilidade não celíaca ao glúten.

Entretanto, ao dar uma vista de olhos pelas redes sociais, li o relato de uma médica gastroenterologista, a Dra. Denise de Carvalho onde chama a atenção para este assunto.

Ela diz que alguns profissionais de saúde não recomendam retirar o glúten da dieta porque se a pessoa for celíaca, mas sem diagnóstico definido, ao se retirar os alimentos ricos em glúten pode acusar falsos negativos nos exames sorológicos, não recebendo assim o diagnóstico adequado.

Mas um resultado positivo apenas ocorre quando a pessoa apresenta Linfoma das células T associado a uma enteropatia (doenças do intestino), chamado EATL (Enteropathy-associated T-cell lymphoma), o que pode significar um diagnóstico tardio.

Segundo a médica, este tipo de linfoma está associado com frequência a um sub-tipo de doença Celíaca chamada Doença Celíaca Refratária, mais especificamente ao sub-tipo II.

A Doença Celíaca refratária acomete apenas 5% dos celíacos (que corresponde a 3% da população caucasiana), e o sub-tipo II ocorre em menos de metade desses 5%.

Existe este risco quando as pessoas não são tratadas adequadamente, sendo mínima a percentagem de indivíduos que o correm.

 

ELA TAMBÉM REFERE QUE OS TESTES SOROLÓGICOS PARA A DOENÇA CELÍACA NÃO SÃO PADRÃO ‘GOLD STANDART’ NO DIAGNÓSTICO. SERVEM APENAS DE RASTREIO PARA PESSOAS SINTOMÁTICAS OU NÃO.

 

Nas pessoas em que o exame sorológico acusa positivo, avança-se para uma biópsia do intestino delgado (eu recusei que a fizessem ao meu filho, avancei logo para o teste genético), que também pode dar falsos negativos.

Por isso, quem tem uma maior probabilidade de desenvolver doença celíaca, como os diabéticos tipo I, portadores de Tiroidite de Hashimoto, doenças auto-imunes ou a quem já foi detectado na família, sugere-se o tal ‘gold standart’ (padrão de ouro) que é o teste genético e a detecção do HLA-DQ2 e o HLA-DQ8.

 

APENAS A AUSÊNCIA DESTES, E SÓ DESTES, EXCLUI O DIAGNÓSTICO!

 

Por fim, ela ainda acrescenta que, na sua opinião pessoal, todas as pessoas devem retirar ou no mínimo reduzir drasticamente o consumo de glúten devido à Sensibilidade não celíaca ao glúten, onde os marcadores de doença celíaca geralmente acusam negativo mas a pessoa sente-se bastante aliviada de diversos sintomas após o retirar da sua alimentação.

Relatam, por exemplo, melhorias a nível da alteração da motilidade intestinal intercalando entre a diarreia e a obstipação, ou apenas de um ou outro.

Relatam a diminuição drástica de gases, náuseas pós-prandial, fadiga constante, dores articulares, ansiedade, nervosismo, entre diversos outros sintomas associados a esta sensibilidade alimentar.

A médica ainda escreve que, ‘estudos populacionais e com ratos mostram que essas pessoas têm uma sensibilidade ao glúten não celíaca, ou seja, sem a formação de imuno-complexos com HLA DQ2 ou 8.

Mas que exibem uma AUMENTO DA PERMEABILIDADE INTESTINAL após contacto do glúten e das suas prolaminas (grupo de proteínas de armazenamento vegetais) com a camada mais íntima do enterócito (tipo de célula epitelial da camada superficial do intestino delgado e intestino grosso).’

Por isso, sim!!

Se notam a diferença retirem ou pelo menos reduzam substancialmente esta proteína, mas atenção, não é para substituir por produtos iguais que têm uns outros componentes também eles prejudiciais.

Por exemplo, sabias que os produtos sem glúten têm mais açúcar e mais gordura para melhorar a sua textura e sabor?! Pois…

Caminhem pela vossa saúde, pois passo a passo, momento a momento, estão cada vez mais perto de alcançar o vosso bem-estar.

Um abraço!
Vera

 

 

– Nayanna Gujral, Hugh Freeman, Alan Thomson: Celiac Disease: prevalence, diagonais, pathogenesis and treatment; World Journal of Gastroenterology 2012 november 14; 18(42): 6036-6059
– www.facebook.com/dra.denisedecarvalho/posts/727235104120176:0

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