Hipertensão no feminino

Segundo a European Cardiovascular Disease Statisticss (ECDS) de 2017, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte na Europa, sendo responsáveis por cerca de 45% do total de mortes. (European Cardiovascular Disease Statistics 2017)

 

E desengana-te se pensas que em Portugal o cenário é diferente. Por cá, as doenças cardiovasculares (DCV) constituem, de igual forma, uma das principais causas de morte, sendo que a Hipertensão Arterial (HTA) é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento destas doenças.

Numa análise epidemiológica de Macedo & Ferreira de 2013, com uma amostra de  2.639.570 pessoas, os investigadores estimaram que a prevalência de HTA em Portugal situava-se na casa dos 29,1% e mais, os autores chegaram à conclusão que as mulheres apresentam uma maior incidência de HTA, especialmente na altura da pré-menopausa e menopausa.

É certo que a hipertensão afecta tanto homens como mulheres, mas além das mulheres representarem 52,7% da população portuguesa, de acordo com dados do INE de 2017, também são as que apresentam uma esperança de vida mais longa mas com maior incidência de doenças, especialmente doenças cardiovasculares e crónicas, logo pensarmos em saúde ou na promoção da saúde de acordo com o género, é uma linha de investigação que, pessoalmente, considero bastante interessante.

A promoção da saúde baseada no género pode, a meu ver, preencher lacunas em relação à saúde da mulher, principalmente através de ações que traduzam a resolução de problemas identificados como os mais prevalentes no sexo feminino, sendo que a hipertensão arterial é um deles.

 

De acordo com a Direção Geral da Saúde (DGS), a HTA é definida como: “a elevação persistente, em várias medições e em diferentes ocasiões, da Pressão Arterial Sistólica (PAS) ≥140 mmHg e/ou da Pressão Arterial Diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg.” (Hipertensão Arterial: definição e classificação 2013)

 

Ou seja, a pressão arterial é a força com que o sangue circula no interior das artérias e é medida em milímetros de mercúrio…Assim, quando o nosso coração se contrai enviando sangue para todo o corpo (sístole), temos a pressão máxima, ou SISTÓLICA.

Quando o coração se dilata e volta a encher-se de sangue (diástole), temos a pressão mínima ou DIASTÓLICA.

 

A hipertensão arterial é́ uma condição clínica multifatorial.

 

Na maioria dos casos de hipertensão (90%), estamos perante uma condição primária em que não há uma causa conhecida, mas que provavelmente está associada a factores de estilo de vida.

Quando a hipertensão surge na sequência de uma doença, chamamos de hipertensão secundária. Esta pode ser desencadeada por condições como apneia do sono, doença renal crónica, doença tiroideia ou até mesmo devido ao consumo de contraceptivos orais.

A HTA na gravidez, é uma intercorrência clínica com riscos para a saúde da mãe e do bebé, que pode ser dividida em HTA pré-existente, HTA gestacional, Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia.

 

Quando não verificamos regularmente os nossos níveis de pressão arterial, corremos o risco desta ir danificando os nossos órgãos ao longo do tempo e poder ocasionar diversos problemas de saúde como:

  • Enfarte do miocárdio
  • Angina de peito
  • Insuficiência cardíaca
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Insuficiência renal
  • Perda de visão por lesões na retina
  • Disfunção eréctil
  • Doença Vascular Periférica

Como a hipertensão é silenciosa, ou seja, por norma não apresenta sintomas, quando estes ocorrem são bastante vagos e podem ser associados a vários outros quadros clínicos, uma vez que sintomas como cansaço, dispneia (dif. em respirar), cefaleias, tonturas, náuseas e epistaxe (hemorragia nasal) não são específicos da HTA.

Mas embora, seja silenciosa e não se conheçam bem as causas, pelo menos da HTA primária, sabemos bem quais são os factores de risco associados a este quadro clínico e dentro destes factores de risco, temos os fatores modificáveis, ou seja, aqueles factores que podemos alterar e temos os fatores não modificáveis, cujo nosso controle sobre eles é nulo.

Esses factores são a idade (quanto mais avançamos na idade, maior a nossa predisposição para termos pressão arterial elevada), hereditariedade (sabemos que nascer em famílias com historial de hipertensão deixa-nos mais propícios à mesma sina), género (lá está, as mulheres são mais sensíveis a apresentar HTA do que os homens) e a etnia (sabe-se hoje em dia que as pessoas negras têm uma maior predisposição a desenvolver um quadro clínico de HTA).

Já quando falamos em factores modificáveis, referimo-nos à obesidade, ao sedentarismo, ao stress elevado, à má alimentação, ao consumo de álcool e de tabaco. Tudo factores que podemos modificar para conseguirmos recuperar da HTA.

 

Em relação aos factores modificáveis, a naturopatia pode desempenhar um papel muito importante, quer seja numa vertente preventiva (antes de surgir a HTA), quer seja numa prespectiva de complementariedade com a medicação que a mulher possa estar a fazer.

Esse papel é desempenhado através da alteração de hábitos e estilos de vida, como a adequação da dieta para uma alimentação funcional, a reposição de nutrientes em casos em que seja necessário e o recurso a plantas medicinais com efeitos hipotensores, que podem ser de grande utilidade na recuperação da saúde da mulher.

 

Nós, Portugueses temos uma cultura gastronómica muito vincada e por vezes (na maioria das vezes) abusamos do sol, ou seja, segundo dados do estudo Global Burden of Diseases (GBD), os portugueses ingerem mais do dobro do SAL (10,7g/dia) do que aquele recomendado pela OMS (5g), sendo que esse sódio em excesso está associado ao aumento da pressão arterial e contribui para a perda de anos de vida saudável. Tudo o que não queremos!!

Mas não abusamos só do sal refinado, existe também um consumo elevado de açúcar que também vai contribuir para o aumento da pressão arterial.

O que vale é que também temos alimentos muito benéficos para a nossa saúde cardiovascular, sendo que um deles encontra-se frequentemente presente nos pratos dos portugueses. Refiro-me claro ao ALHO.

O alho tem tantas propriedades medicinais benéficas que não é de espantar que esteja associado à redução da HTA.

 

Já no que respeita a minerais, temos o concorrente directo do sódio (sal), o potássio. Este mineral é o terceiro mais abundante no corpo, repara que 98% do potássio é encontrado nas células e quando lá dentro, ele funciona como um eletrólito, gerindo uma variedade de processos como o equilíbrio de fluidos, sinais nervosos e contrações musculares.

 

Por último, e como exemplo de uma excelente planta medicinal com efeito hipotensor, temos o Gengibre (Zingiber officinale).

Se segues o meu trabalho, sabes que falo muito sobre esta raíz, que é conhecida pela sua capacidade de reduzir a inflamação, diminuir problemas digestivos e melhorar a função imunitária.

Aliás, é uma das plantas medicinais mais importantes usada para diferentes doenças como a artrite, a aterosclerose, a obstipação, o colesterol elevado e claro, a hipertensão arterial (Akinyemi et al., 2016). Além disso é riquissima em potássio e compostos fenólicos como gingerols, shogaols, paradols e zingerone (Shukla & Singh, 2007).

 

De forma muito resumida e com o objectivo de te dar as bases para a prevenção da HTA, recomendo que:

 Sigas uma dieta de base vegetal, rica em antioxidantes, pobre em sal e em açúcar.
 Evites alimentos refinados e processados, como massas, bolos, bolachas, etc.
 Uses óleos saudáveis, como o azeite.
 Bebes diariamente a quantidade de água adequada para a composição corporal e historial clínico.
 e…PROCURA SEMPRE UM PROFISSIONAL DE SAÚDE para te apoiar!!

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