Impacto da soja na Saúde da Mulher

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O impacto da soja na saúde da mulher é, e acho que sempre será, um tópico controverso, tanto pela imensidão de informação e desinformação que temos ao nosso dispor como pelos mitos que ainda prevalecem em relação a esta bendita leguminosa. Mas, no meio de tanta informação há que conseguir separar o trigo do joio, e para mim isso significa procurar informação, que embora seja volátil e possa evoluir com o tempo, também é credível.

Assim, antes de falarmos sobre as nossas hormonas e o impacto que a soja pode ter nelas, talvez seja melhor começarmos por perceber que leguminosa é esta e o porquê do surgimento de tantos mitos ao seu redor.

Soja, a leguminosa

A soja é uma leguminosa tal como o feijão, o grão ou as lentilhas. É rica em compostos fenólicos como as isoflavonas e o que a torna especialmente interessante é a sua riqueza em aminoácidos, ou seja, proteína.

A soja é também rica em ferro, sendo que este tem uma absorção muito boa, provavelmente por se encontrar na forma de ferritina, a qual é absorvida de forma mais eficaz do que outras formas de ferro não-heme.

A soja contém igualmente ácido fítico, conhecido como um anti-nutriente, ou seja, um nutriente que se opõe à ação de outros nutrientes importantes, como o cálcio e o ferro. Mas esta situação pode ser facilmente superada quando a leguminosa é cozinhada ou fermentada.

Os alimentos à base de soja (edamame), como o nome indica, são feitos de soja e podes encontra-los em produtos como o tofu, o tempeh, o molho de soja e as bebidas vegetais.

A soja tem sido tradicionalmente consumida ao longo de séculos pelas populações asiáticas. No Japão e na China, o consumo médio de soja é de cerca de 1,5 porções de soja por dia, podendo chegar às 3 porções, sendo que metade dessa soja é fermentada.

Os compostos químicos mais populares da soja são os fitoestrogénios, que tem efeitos semelhantes (mas não iguais) aos do estrogénio, produzido pelo nosso corpo, e o tipo de fitoestrogénios encontrados nos alimentos à base de soja são as isoflavonas, que são essencialmente um tipo de antioxidante.

Primeiro há que esclarecer que as isoflavonas não são fitoestrogénios exclusivos da soja. Outros alimentos como o feijão, os amendoins, o grão ou as nozes também as possuem.

Segundo, o que essencialmente sabemos sobre os efeitos dos fitoestrogénios da soja é que exercem um efeito estrogénico no nosso corpo quando os níveis de estrogénio a circular são baixos, por exemplo, na menopausa.

No entanto, e aqui é que se torna extremamente interessante, a soja também exerce um efeito anti-estrogénico quando os níveis de estrogénio a circular se encontram elevados (ocorre competição)

E ao que parece, os alimentos à base de soja aparentemente aumentam a duração do ciclo menstrual em cerca de um dia sem, no entanto, interferir com a ovulação. Além disso, de acordo com dados epidemiológicos, este pequeno efeito na duração do ciclo menstrual pode até ajudar a diminuir o risco de cancro da mama e a promover a fertilidade.

Síndrome do Ovário Policístico e a Soja

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma condição hormonal que afeta cada vez mais mulheres e é caracterizada por irregularidade menstrual, níveis elevados de androgénicos, como a testosterona, que pode resultar em acne, crescimento excessivo do pêlos ou queda de cabelo e presença de cistos nos ovários.

Tem sido feitos estudos que sugerem um beneficio terapêutico de uma isoflavona específica, chamada genisteína encontrada em produtos de soja, para mulheres com SOP, que se mostrou promissora na melhoria do perfil hormonal, regularidade menstrual e fertilidade, bem como no controlo de alguns dos fatores de risco para doenças cardíacas, como colesterol elevado.

A genisteína, é um tipo de isoflavona, que tem mostrado evidências na melhoria hormonal e nas condições metabólicas que surgem em mulheres com SOP.

Concluindo, aparentemente os alimentos à base de soja são potencialmente úteis na SOP.

Hipotiroidismo

Outra grande preocupação em relação ao consumo da soja prende-se com a tiróide. No entanto, a literatura sugere que a soja e os seus derivados, quando consumidos em doses moderadas, aparentemente não surtem qualquer efeito ao nível da tiróide.

Já o uso regular de suplementos de isoflavona pode causar ligeiras alterações no tiróide e quando usados em conjunto com a levotiroxina – um medicamento usado para hipotiróidismo – pode interferir com a terapêutica.

É sempre muito interessante constatar que os resultados através dos alimentos no seu todo são, normalmente, muito mais eficazes e benéficos do que quando se isolam componentes e os usamos de forma isolada.

Existem riscos?

Numa perspectiva de segurança, o uso a longo prazo de suplementos de isoflavona pode aumentar o risco de hiperplasia endometrial (um espessamento do revestimento endometrial), no entanto, os alimentos à base de soja parecem não ter o mesmo efeito, ou seja, o totum vegetal acaba por ser, quase sempre, mais benéfico.

O facto é que, na grande maioria dos estudos, a soja está associada a inúmeros benefícios para a saúde e poucos riscos.

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    Sou a Vera, naturopata especializada na saúde da mulher e da criança e autora do livro Nascer e Crescer Vegetariano.

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