Medicar crianças para sossegarem!

Segundo um artigo publicado na página do jornal Público, o Conselho Nacional de Educação (CNE) ALERTA para a obsessão em ter as crianças mais atentas e sossegadas, com recurso a substâncias químicas.

De acordo com o CNE, esta prática pode representar um condicionamento irreversível do desenvolvimento cognitivo e social da criança que nenhum medicamento poderá recuperar.

No relatório “Estado da Educação 2015“, o presidente do CNE, David Justino, escreve que se tornou preocupante o consumo de substâncias estimulantes do sistema nervoso central, especialmente as orientadas para a superação de “supostos problemas” de hiperatividade e défice de atenção, referindo que:

 

“O recurso cada vez mais generalizado ao metilfenidato (princípio ativo da designação comercial de Ritalina) reflecte um problema que não deverá ser menosprezado.“

 

De acordo com o relatório Saúde Mental em Números 2015, as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de cinco milhões de doses diárias de metilfenidato.

A grande preocupação e consequência da ingestão de medicamentos são os seus efeitos secundários, que infelizmente muitas vezes tratam-se de um mal menor, pois queiramos aceitar ou não, a medicação de síntese tem a sua validade terapêutica principalmente em estados agudos, no entanto, não é uma panaceia para todo o mal e quer a ingestão de um químico seja “natural” ou não deve ser sempre ponderada e feita com base em informações credíveis para evitar desconfortos desnecessários associados aos químicos sintéticos e não sintéticos!

 

Acredito que temos o dever de questionar sempre:

  • Valerão a pena todos aqueles efeitos colaterais?
  • Haverá algo mais que poderíamos tentar?

 

Antes de mais, a Perturbação do Déficit de Atenção com Hiperatividade (PDAH) é o termo geral usado para descrever um problema neurocomportamental devido a factores genético (causa mais provável) ou ambientais, mais comum entre as crianças, mas que também afecta os adultos.

De forma muito simplista, as nossas células nervosas ou neurónios enviam mensageiros químicos para a frente e para trás chamados neurotransmissores.

Estes mensageiros são os que dizem aos nossos corpos como pensar, como agir e como sentir.

Alguns estudos afirmam que a PDAH é uma deficiência genética destes mensageiros químicos fazendo com que não se comuniquem adequadamente.

Algumas evidências apontam para o papel da dopamina na PDAH, pelo facto de ser um neurotransmissor importante que conduz os sinais entre os nervos no cérebro, estando ligada a muitas funções, incluindo o movimento, sono, humor, atenção e aprendizagem.

Além disso, a norepinefrina, uma hormona do stress, também é conhecida por afetar as partes do cérebro onde as acções de atenção e de resposta são controladas.

O que se tem observado é que o aumento dos níveis de dopamina e de norepinefrina no cérebro têm demonstrado benefícios no tratamento sintomático da PDAH.

 

Existem igualmente vários factores ambientais que estão actualmente a ser estudados, como causas prováveis:

Gravidez: fumo de cigarro, álcool e drogas durante a gravidez. Gestações difíceis, nascimentos prematuros e de baixo peso ao nascer também têm sido associadas ao transtorno.

Toxinas: As crianças que estão em contacto com elevados níveis de chumbo derivado da tinta, por exemplo, podem estar em maior risco de desenvolver PDAH.

Os PCB´s e outros produtos químicos tóxicos também estão associados ao desenvolvimento anormal do cérebro em crianças.

Dos herbicídas e pesticidas nos alimentos a adjuvantes nocivos nas vacinas, as substâncias toxicas estão literalmente em toda parte e muitas pessoas sofrem de sobrecarga tóxica que pode resultar em sintomas de PDAH.

Nutrição: Alguns pesquisadores sugerem que o açúcar e outros aditivos alimentares como conservantes e corantes artificiais desempenham um papel no desenvolvimento da doença.

Lesão cerebral: uma pequena percentagem de crianças que sofreram lesões no lobo frontal também têm PDAH.

 

Quer se trate de genética, desequilíbrios hormonais ou factores ambientais, é difícil identificar a causa específica da PDA / PDAH. Provavelmente porque é uma combinação destes e de outros factores que contribuem para a causa.

 

A naturopatia como complemento ao apoio prestado às crianças com Perturbação do Défice de Atenção com Hiperactividade concentra a sua atenção nos sintomas associados fornecendo ferramentas eficazes para a sua gestão num contexto menos agressivo.

 

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