O Mito da Proteína Combinada

Todos os nutrientes vêm do sol ou do solo.

 

Os minerais provêm da terra e as vitaminas das plantas e dos microrganismos que crescem a partir deles.

Dito isto, volta a eterna questão. Onde posso obter a proteína?

A proteína é composta por aminoácidos e entre eles existem 20 aminoácidos essenciais, o que significa que o nosso corpo não os consegue produzir, sendo essencial obtê-los a partir da alimentação.

Mas os outros animais também não os produzem.

As proteínas provenientes das plantas (e micróbios) têm todos os aminoácidos essenciais. O conceito de que a proteína vegetal é inferior à proteína animal surgiu devido a estudos realizados em ratos há mais de um século atrás.

Os cientistas descobriram que os ratos bebés não tinha um crescimento adequado quando alimentados à base de plantas. Mas os ratos bebés também não crescem bem se forem alimentados com leite materno humano e porquê?

Porque o leite do rato tem 10 vezes mais proteína do que o leite humano e porque os ratos têm um crescimento cerca de 10 vezes mais rápido do que bebés humanos.

É verdade que algumas proteínas vegetais são relativamente baixas em determinados aminoácidos essenciais e por isso, há cerca de 40 anos atrás, o mito da “proteína combinada” entrou literalmente em voga, na edição de Fevereiro de 1975 da revista Vogue.

O conceito era de que precisávamos de comer “proteínas complementares” em conjunto, por exemplo, arroz com feijão, para compensar possíveis carências.

 

Essa falácia foi refutada há décadas atrás.

 

O mito de que as proteínas vegetais são incompletas, que se tem de combinar proteínas nas refeições foi desmentido pela comunidade de nutrição décadas atrás.

Inclusive, a American Heart Association reconheceu em 2001, que “as proteínas vegetais podem fornecer todos os aminoácidos essenciais, não havendo necessidade de optar pela combinação proteica.

E porque é que não é uma preocupação?

Porque o nosso corpo mantém inúmeras reservas de aminoácidos livres que são usados para complementar o que poderá faltar em determinado dia, sem contar com o processo de reciclagem de proteínas que o nosso corpo tem.

Cerca de 90g de proteínas são libertadas diariamente, pelo próprio corpo, no trato digestivo para serem decompostas de forma a que o nosso corpo possa misturar e combinar os aminoácidos de que precisamos.

Assim, é praticamente impossível projectar uma dieta baseada em alimentos vegetais que seja suficiente em calorias, mas deficiente em proteína.

Por isso, quem adopta uma alimentação à base de plantas pode ficar tranquilo no que diz respeito aos
desequilíbrios de aminoácidos das proteínas vegetais que compõem a dieta habitual.

 

 

 

Traduzido e adaptado do original do Dr. Michael Greger (nutritionfacts.org/video/the-protein-combining-myth) publicado a 25 de Abril de 2016
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