Vantagens da Alimentação Vegetariana

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A alimentação vegetariana não é uma moda, muito menos recente.

 

Ao longo da história da humanidade sempre houve pequenos grupos e povos inteiros, que por razões religiosas, económicas, culturais ou ambientais, seguiram uma dieta predominantemente vegetariana.

 

A única moda que observamos é o destaque que os produtos de origem animal têm na nossa alimentação.

Basta falarmos com os nossos avós e bisavós, para rapidamente percebermos que ainda há décadas atrás, a carne e o peixe eram alimentos consumidos em pouca quantidade e que o leite nem sequer fazia parte das suas dietas, até porque estes eram considerados “alimentos dos ricos”, logo, só após a melhoria das condições de vida nos países desenvolvidos é que o consumo destes produtos se generalizou.

 

Mas estes alimentos deveriam ter continuado a ser consumidos excepcionalmente, pois o seu consumo regular não é necessário à saúde, antes pelo contrário, é causador de inúmeras doenças.

 

Perante o cenário actual da saúde, assistimos a um esforço de educação da população para que readquira hábitos mais saudáveis com a redução dos produtos de origem animal e com predomínio de produtos de origem vegetal.

Inúmeras pesquisas científicas têm vindo a demonstrar que os vegetarianos, em média, são mais saudáveis e vivem mais tempo do que aqueles que comem produtos de origem animal.

A American Dietetic Association, publicou um artigo de revisão sobre a dieta vegetariana e concluiu que:

 

“dietas vegetarianas bem planeadas são saudáveis e nutricionalmente adequadas, sendo bastante benéficas na prevenção e tratamento de diversas doenças”.

 

Os nossos antepassados começaram por ser frugívoros (comiam apenas frutos), depois evoluíram para omnívoros, alargando a sua dieta a insectos e pequenos mamíferos e mais tarde tornaram-se pescadores e caçadores, passando a incluir no seu menu a carne de diversos animais.

No entanto, durante a maior parte desse percurso evolutivo, os nossos antepassados basearam a sua dieta em plantas, sendo os produtos de origem animal um complemento da sua alimentação de onde retiravam calorias e proteínas extra.

Milhões de anos depois, o ser humano inventou a agricultura e passou a produzir inúmeras variedades de cereais, leguminosas, oleaginosas, hortícolas e frutos, capazes de suprimir as suas necessidades nutricionais e energéticas, de tal forma que hoje em dia, na maior parte do planeta, o ser humano já não precisa de comer carne para viver e ser saudável.

 

Ao contrário do que commumente se pensa, ser omnívoro não implica que se tenha de comer de tudo para se sobreviver, mas sim que se pode sobreviver com um leque variado de opções alimentares.

 

Um omnívoro consegue viver só de carne ou só de plantas, se apenas tiver disponível uma dessas opções para se alimentar. A invenção da agricultura, dá-nos uma nova dimensão ao facto de sermos omnívoros, pois oferece-nos liberdade de escolha alimentar.

 

Eis alguns dados interessantes:

 

– Nos Estados Unidos, mais de metade de toda a água consumida é gasta na produção animal e outra estimativa aponta para que perto de 85% da água consumida no planeta seja gasta na produção animal. Para se produzir 1kg de batatas são necessários cerca de 50 litros de água e para se produzir 1 kg de trigo são necessários cerca de 42 litros, no entanto para se produzir 1kg de carne de vaca são necessários 43.000 litros de água!

– Os dejectos dos animais, que antes eram naturalmente integrados novamente nos solos, fertilizando-os, são agora produzidos em tamanha quantidade, que se tornaram um dos maiores problemas de poluição no mundo, contaminando de forma severa os solos e as águas.

– A criação de gado e a produção agrícola intensiva para alimentação desse gado, estão entre as principais causas de desertificação e de desflorestação do planeta.
Dois terços dos terrenos agrícolas são dedicados a pastagens e culturas para alimentar o gado. Estima-se que por cada quilo de carne que é produzido se percam 77 quilos de solo fértil e que 85% da erosão dos solos no mundo está associada a culturas destinadas à alimentação do gado e à produção de pastagens.

– Na actualidade, existe suficiente solo fértil, energia e água para alimentar mais do dobro da população humana. No entanto, entre as questões políticas e económicas que impedem milhões de pessoas de aceder aos alimentos produzidos, está também o facto de que metade dos cereais produzidos no mundo destina-se a alimentar animais para consumo em países desenvolvidos, em vez de servir de alimento aos seres humanos que passam fome em países sub-desenvolvidos.

– São necessários cerca de 7 kg de cereais e soja, para produzir 1 kg de carne nos Estados Unidos. Bastaria que os norte-americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10%, para que mais 100.000.000 pessoas pudessem ser alimentadas com os cereais assim poupados. Foi demonstrado que se toda a população mundial fosse vegetariana, tudo aquilo que se dispende na produção animal poderia alimentar 10 biliões de pessoas, ou seja, mais do que a população humana que se prevê existir em 2050.

Por isso, pensa, informa-te, interroga-te mais sobre as tuas opções e pensa em como um gesto simples de trocar o bife por feijão ou lentilhas pode ajudar a te tornar mais saudável e a salvar o mundo.

 

 

 

Bibliografia:

Texto original Aqui

“So You’re an Environmentalist; Why Are You Still Eating Meat?”, Jim Motavalli, E Magazine, January 3, 2002 (www.alternet.org/story/12162)

“Meat-eating environmentalist? How can that be?”, Lisa Rogers, Toronto Vegetarian Association (www.veg.ca/lifelines/marapr/meat)

“Why environmentalists aren’t vegetarian”, David Pye, VSUK Trustee, 35th World Vegetarian Congress (www.ivu.org/congress/2002/texts/david2.hmtl)

“A paleontological perspective on the evolution of human diet”, Peter Ungar and Mark Teaford (www.cast.uark.edu/local/icaes/conferences/wburg/posters/pungar/satalk)

“Fruits of the Past”, Colin Spencer (www.viva.org.uk/guides/fruitsofthepast)

“Our Food Our World – The Realities of an Animal-Based Diet”, EarthSave Foundation, Santa Cruz, 1992

“Diet for a Small Planet”, Frances Moore, Lappe Ballantine Books, 20th Annv Edition, 1985

“The Food Revolution: How Your Diet Can Help Save Your Life and Our World”, John Robbins, Conari Press, 2001

“Diet for a New America: How Your Food Choices Affect Your Health, Happiness and the Future of Life on Earth”, John Robbins, H.J. Kramer, Reprint edition, 1998

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    Sou a Vera, naturopata especializada na saúde da mulher e da criança e autora do livro Nascer e Crescer Vegetariano.

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